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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Ao nosso mundo de fuga

Os planos do dia seguinte é a tormenta da noite anterior. Ansiedade que surge em versos e prosas na minha cabeça. Conversas e risadas entre neurônios que me tiram o sono e tiram o sossego. Impossível até para fechar os olhos e ao abrir ver que o dia ainda não despertou.

Levanto cedo para te ver, bonita manhã interiorana. Sorrir pelo caminho, contar as horas e minutos. Ansiar pelo abraço, pelo toque, pelo beijo apaixonado de rosto inteiro. Ser suprido de toda a expectativa, vambora que o dia só começou.

O sol que esquenta lá fora se torna pouco do calor que vem de dentro. Tão ardente que até a estrela maior se rendeu a chuva. É a tempestade que veio em boa hora para abafar o barulho do nosso corpo e refrescar o calor da noite que se elevou.

Já não conto as horas, pois não demora nesse banho que vou eu aí secar. Empresto minha camisa pra que fique o seu cheiro, junto do meu desejo de sentir-te sempre mais. Descoberto pelo seu sono, abraçando pouco a pouco, durmo antes só pra te ver acordar.

Mas é nas nossas voltas, desapegados em plena relva, pés pro alto ao poente que ficamos a nos beijar. Tão sorridentes às folhas secas, abraçando árvores que nos observam, nos inspiram, que nos ligam mesmo distante um do outro.

Fugindo do mundo que abraçamos é que encontramos o nosso mundo de provocações. A nossa rebeldia aos amores pré-fabricados. Ao imposto que nos deixa a margem, pois estamos abraçados do lado de fora, sem ter coragem de entrar.

Tudo como planejado. Ir e voltar, mas nunca para me despedir. O último olhar para trás e também te ver partir. Despedida na rodoviária em noite chuvosa, o pára-brisas molhado escorre para cima, lágrimas da saudade empurradas com vento de felicidade.

O limpador é para secar as lágrimas, enxugar o rosto choroso e então apenas lembrar-se do que te faz feliz. Do que te faz, bonita.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Amor industrializado

Aos que hoje enfrentam a dura batalha da desilusão amorosa, daquela paixão foiçada pelo meio sem dar sinal de chegada e nem de saída. A dor que não se cura com remédio e que as memórias insistem em nos perfurar com lanças de saudade. É o medo dos dias desconhecidos que estão por vir. Medo da ausência e a aproximação da carência.

A carência é um estado de baixa imunidade. Somos facilmente contagiados por qualquer demonstração de carinho. A solidão se torna um paciente em fase terminal. O amor é um viral.

Normalmente engolimos o comprimido amargo do equívoco. Um conta-gotas do tempo que desce azedo pela garganta e nos faz delirar pela sala de espera de um novo amor.

Então vem a busca pela ocupação do leito vazio que foi deixado por outro paciente. Miramos em um novo relacionamento, o que não é a melhor receita. Entrar em outro para esquecer o anterior é tentar transferir sentimentos.

O chamado “Amor industrializado”, esses que pegamos quase pronto. Sempre tem prazo de validade. Cada pessoa tem seu próprio espaço, como um recipiente, onde cada um tem sua dose de sentimento para dar e receber. É brincar com o sentimento alheio. Tamanha irresponsabilidade.

É um impulso para querer se livrar de uma dor e que normalmente a usamos como instrumento para medir o tamanho do nosso sentimento. Não se mede o amor pelo tamanho do seu sofrimento.

Repouse, pois o amor também recebeu alta.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Manifestação do amor

Seja uma faixa de pano ou cartolina, pouco importa, pega a tinta e pinta a sua insatisfação. Escreve torto, pois é mais romântico e menos artificial. Rabisca o sentimento guardado há tempos de sofrimento. Todos saberão do seu pesar, muitos abraçarão a sua causa e manifestarão apoio.

Vamos às ruas atrás do nosso direito de ser feliz, de pedir mais alegria em nossos dias, reivindicar a compaixão esquecida pela tormenta da rotina. Gritaremos palavras de ordem contra a repressão que inibiram as paixões proibidas e os amores que não seguem a lei do destino.

Com meu cartaz em mãos exijo menos solidão, menos desconfiança, menos insegurança e menos mentiras. Ao meu lado alguém protesta pedindo mais sinceridade, mais respeito e mais carinho. Ninguém aguenta mais tantos impostos no amor. Troco vinte centavos por vinte longos suspiros.

Os protestos continuam. Muitos nas ruas, mas poucos sabem o que realmente querem. Há os alienados, os politizados e os aproveitadores. De repente me vejo enquadrado por se aproveitar da ocasião, de abusar da fragilidade de alguém com o coração desguarnecido, um ato de vandalismo em causa própria.

As ruas foram um pretexto para fugir da solidão. Para encontrar – quem sabe – uma companheira para lutarem juntos pelas causas sociais e matrimoniais. Nada de política e economia. Fazemos parte da geração do desapego, mas que agora estão cansados de acordar sem ouvir um "bom dia" vindo do travesseiro ao lado.

É a revolta dos desamados, dos que cansaram de não ter alguém do lado, que foram às ruas para protestar e se apaixonar. É a manifestação do amor.  

domingo, 28 de abril de 2013

Aos mundos iguais


Está aberta a temporada de fugas e desculpas. Chega do mesmo e o oposto imperando em nossas vidas. Vamos atrás do similar, parecido, análogo ou quem sabe o tão abençoado algo em comum. Vamos aplicar um filtro para nossas escolhas.

É um espaço dado inconscientemente. Uma pequena brecha ao convidativo que a carência e a solidão entram em estado de libertação. Provocamos o hasteamento da bandeira branca para decretar nossa paz interior.

Não olhamos além. É a irracionalidade que nos entorpece, tira o foco, altera a rota, se intromete no destino. É a atração que nos invade sem pedir licença. Hipnotiza.

O argumento são sempre os mesmos: afinidade, beleza física, bom papo, senso de humor, entre outras. Mas entre as citadas, a primeira talvez seja a mais importante, pelo menos a médio e longo prazo. Afinidade é o carro chefe, seja em um caminho plano, estreito, sinuoso, é o que dita o ritmo.

É sensacional quando contamos histórias e de repente ouvimos um “eu também”, mas quando somos nós que estamos ouvindo e os olhos brilham na identificação com o que foi contado, é de peito estufado que dizemos “nossa, que irado. Eu também”. Faz-nos ir além da imaginação. Vicia, aglutina, é quase uma viajem transcendental para um futuro a dois. É como acertar - de primeira - a chave da porta no meio entre tantas no molho.

Toda mudança gera um desconforto, por isso queremos mundos parecidos. Não é facilitar, tampouco dar um “jeitinho”. Queremos descomplicar o mundo dos ditos racionais. Friamente pensando, é a busca do mais óbvio.


Então que seja sempre assim: meu mundo, seu mundo, nosso mundo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Olhe pela janela


Há um tempo buscávamos a certeza de que sabíamos do que queria. Procurávamos o mesmo que todos procuram. Uma rápida solução, o despejo de uma agonia, os traços desconcertados de um sorriso sem sentido, o olhar sem direção.

Encaro como uma aventura a dois, mas que na verdade é a minha viagem insólita em busca do paraíso perdido; ou que talvez nunca tenha sido encontrado, quiçá existido.

É a procura pelo desconhecido, uma ameaça fantasma que assombra de quem se aproxima. Começa assim, sem destino, uma viagem só de ida, mas com a possibilidade de parar no meio do caminho. Sempre para. Tem sempre algo cativante que notamos olhando pela janela.

Embarco acompanhado, mas desço sempre sozinho. É o zelo pela minha própria excursão na que teimamos em chamar de vida. O que interpreto pela janela é individual, faz parte da minha ótica, vejo e depois imagino. Desço e depois construo. Destruo se for o caso.

Há quem descreve o que há do lado de fora com uma canção para quem leva sempre na bagagem o seu violão. Outros retratam em uma tela pintada ou até num rascunho em uma folhinha de papel. Existe sempre uma forma de registrar o que se passa ao seu lado para depois recordar. O que não é o meu caso. Vou lá e vivo, faço uso, desfruto, atribuo valor a palavra existir.


Peço que pare e dou um até logo. Não gosto de despedidas, muito menos lágrimas. Encontrastes-me no meio do caminho, por isso não há motivos para desperdiçar seu choro. Sigamos nossos rumos, a quem tem coragem, espírito aventureiro, quem leva sempre o próprio travesseiro ou apenas um trocado para bancar suas doses e seus tragos.

A viagem tem o destino certo para todos, menos para quem viaja com a cortina aberta.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Com todas as letras


Eu que não me abalo, que não me faço de fraco. Eu que procuro alternativas até encontrar uma solução. Eu que não desisto enquanto o desejo ainda vive em mim. Vou soluçar e esfregar uma mão na outra, levantar da cadeira e sair para respirar. Eu que não me prendo ao sufoco.

Que quando ainda sinto, volto atrás. Que não paro de pensar um só minuto, de te olhar sempre que posso, de te ler quando possível. Sinto seu desespero mesmo que de longe. Procurando maneiras de mostrar que está sendo forte para se sentir melhor. Pensando em tudo e todos, menos em você.

Não te convido para um café, conversas ao vento para distrair. Então rir dos problemas, da falta de maturidade daquele momento, daquele dia. Porque no final teremos aquele abraço sincero como o de rodoviária. Da alegria de um encontro e o coração apertado na despedida. Sinto falta de cada um deles, de cada risada vinda através das palhaçadas.

Pois não sei te dizer isso. Prefiro me ausentar, não saber se ainda se importa. Se faz ideia de quanto penso, lembro e ainda desejo. Sugiro que suma também e não me mande notícias. Nem uma linha sequer.

Mas acabarei por respirar na frente do espelho até conseguir escrever o seu nome, olharei para o telefone e esperarei talvez você ligar. Vou ler cada mensagem e interpretá-las sempre com um tom de esperança, de que ainda resta um sentimento aí.

Nos meus sonhos vou te ignorar, desprezar e me afastar até acordar, porque a lucidez não me permite. Teima em te seguir, de querer ainda te sentir, nem que seja um tiquinho.

Mas essa lucidez me confunde, não permite que eu pare por mim. Que decifre cada pensamento e o porquê de tanto sofrimento. Desconheço esse sentimento, não me lembro ao certo o poder de sua intensidade.

Tem nome. Uma palavra linda, doce, sutil, mas que faz estragos se não souber usá-la. Por isso não digo, não resumo o que sinto, não simplifico, não oculto os detalhes. Pois a cada dia se renova e não me importo em te explicar tudo novamente, com todas as letras.

O ‘eu te amo’ são para os preguiçosos. 

domingo, 18 de março de 2012

O mundo paralelo de um ciumento

Foi tentando achar uma explicação e que depois de tanto pensar, juntando aqui ou ali alguns acontecimentos do passado, percebi então que quando menos espero eu perco o controle de algo sobre mim. Sou motivado pela felicidade alheia, pelo sorriso conquistado, por risadas fora de hora e pela paixão desprevenida.

Uso e abuso dos meus sentimentos; por dias acordo apaixonado e durmo decepcionado. Por outros, passo o tempo todo procurando o que faça despertar um sorriso bobo – daqueles sem motivos – ou um suspiro que para a honra masculina machista passa por despercebido. Sentimentos que um adolescente sabe bem o que é.

E é nesta fase da vida – a adolescência – que não temos controle de nada, principalmente o ciúme. Sentimento impróprio, chato, repugnante e avassalador. Quantos relacionamentos terminam por conta disso? Quantos amores sucumbem diante dessa tormenta arrasadora, que não tem dó e muito menos piedade? Só quem sentiu na pele sabe bem do que estou tentando dizer.

Mas essa tempestade – típica na fase inicial dos relacionamentos – sempre leva um pouco de chuva e vento para outras regiões. Não há como se esconder. Imprevisível, além do descarte. Quando já estamos bem calejados das pancadas mundanas, vem o ciúme. É dor que não passa com um assopro. Incomoda, limita nossos movimentos.

Olhamos, procuramos, encontramos, olhamos de novo. Ainda não satisfeito, olhamos mais uma vez. É um sentimento de ver e não acreditar, por isso a insistência até que nada prove o contrário. É porque nunca prova mesmo. Neste momento ninguém entra e ninguém sai. É um mundo paralelo que fazemos parte.

É uma mistura de insegurança com a falta do confiar em tal pessoa ou em você mesmo. Não temos controle, nem de nós e muito menos da outra pessoa. Instinto animal, quando um inimigo resolve invadir o seu espaço demarcado, mas para nós isso não existe. Não temos alguém como propriedade. De fato não nos pertence.

Há o ciúme involuntário, aquele que só existe em nossa imaginação. Também involuntário quando somos pegos de surpresa pela presença de um amigo – de onde nunca nos interessa – que nos toma como de assalto e fala de coisas que vivenciaram, ou seja, estamos fora da conversa.

Mas existe um tipo senão o pior, um dos mais terríveis. Aquele por pura maldade, que vem como forma de jogo. Masoquismo herdado da juventude e que a maturidade já deveria ter feito por saber que nada acrescenta.

Provocar o ciúme alheio é como derrubar o castelo de areia de uma criança na praia. Colocar açúcar na lasanha da sua mãe. Manchar com vinho o vestido da noiva antes do altar. É planejar a viagem dos sonhos, colocar todas as malas no carro e decidir ir trabalhar no dia seguinte. Um estrago provocado sem saber da sua dimensão.

Sim, existem aqueles que percebem tal disparate e interpretam como um surto de infantilidade, mas muitos caem nessa cilada. O provocador quer chamar a atenção, assim como os índios tocam tambores para chamarem a chuva. É o amor subtraído. Emana decepção. Desnecessário.

Provocar o ciúme alheio é desdenhar do amor.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O que cabe em um coração?

Ninguém sabe mais de mim do que eu mesmo. Assim penso, uma convicção tamanha. Algo parecido como uma religião. É muita fé de que nada mais abala e nada mais é capaz de mudar. O que nada mudaria segundo minhas convicções, continuará intacto. Sem saber ao certo, paira a dúvida.

Quantos corações cabem dentro de uma pessoa? Acredito que apenas um. Mas quantas pessoas cabem dentro de um coração? Muitas.

Já me perguntaram se é possível amar mais que uma pessoa. Já vi esse questionamento em um filme, mas não lembro qual. Mas essa não é uma dúvida corriqueira. Nem é preciso ter um coração tão grande que possa amar duas pessoas ao mesmo tempo. Então eu acredito que sim, cabe mais de um amor no mesmo coração.

Acredito que o amor não morre. Apenas adormece. Como um urso na época de hibernação, uma grande dose de um sonífero. O paciente depressivo que toma seu Rivotril para dormir e esquecer as dores do mundo. As suas tristezas interioranas. Fingir que está tudo bem. Um esquecido que jamais será lembrado.

Enquanto um dorme, outros podem ocupar um lugar nesse coração. O amor preenche espaços vazios. Propaga-se com a felicidade, se espalha na velocidade da emoção, penetra-se na medida em que os carinhos acontecem. O amor se alastra com o aperto de cada abraço, com os sorrisos trocados, com beijos demorados.

Mas a dúvida surge quando o adormecido resolve acordar. É amar duas pessoas ao mesmo tempo? O despertado continua tendo seu lugar cativo? O amor novo consegue ter força para lutar contra um passado?

Creio que são esses os questionamentos mais comuns. Essa certa pessoa que me perguntou se é possível ter dois amores provavelmente tinha esse pensamento. O velho amor acordou, ele não voltou como muitos por aí pensam. O amor não vai embora ou morre, tampouco ressuscita. Com certeza foi feito algo para que acordasse. O amor é seu e só você tem esse poder de tirá-lo do coma.

Por isso acredito que nesse caso é possível mesmo amar duas pessoas. Não ter o mesmo sentimento por ambos, mas cada um com suas individualidades. Não é igual e nem será. Não é medido porque são tempos diferentes. Talvez a mulher do naufrago, após anos do desaparecimento do seu marido e com a sua vida já refeita, tenha sentido algo parecido.

Infelizmente não tenho a fórmula para resolver esse problema. Talvez nem exista uma solução. Mesmo que o coração esteja em divisão, o amor não é uma matemática exata, nem uma equação.

O amor nasce, cresce, vive intensamente e também dorme. Às vezes acorda e encontra com outro gerado na sua ausência. Amor só morre quando morremos. O levamos porque amor não é matéria.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Um pouco mais de você

Hoje, só por hoje vou sentir vontade de te abraçar e confortar seu coração.

Só por hoje direi que o meu lugar será sempre ao seu lado.

Só por hoje não vou me importar de ser apenas ouvidos, de te escutar atentamente.

Só por hoje faria tudo isso e o que mais você quiser só para te ver sorrir novamente.

Mas sei que passa, hoje, talvez amanhã, o que sentimos sempre passa.

Quando começar uma nova semana a certeza virá e tudo passará.

Então não precisarei te procurar só por hoje. Não quero te fazer sorrir apenas hoje.

A segunda-feira é como uma segunda chance. Deixamos tudo para a segunda: - vou começar na segunda-feira. Não é assim que dizemos?

É como uma segunda chance para nós mesmos, às vezes sem passar pela primeira.

Vou deixar que a segunda-feira mostre o que eu já vinha dizendo, o que venho acreditando.

Não quero te dizer o que realmente sinto. Não quero lembrar que ainda gosto de você.

Vou ouvir a nossa música até enjoar, para que não me recorde mais de como ela me deixa em sintonia com você quando não está por perto.

Irei ler seus textos até acreditar que eles não são para mim. Até não achar identificação com nenhuma palavra. Até esquecer o quão suave são essas mãos que escrevem o que sente.

Ficarei por horas, dias e semanas olhando suas fotos até não conseguir mais ver o brilho em seus olhos que em mim ainda reflete. Passarei o mouse pelo seu rosto, tocarei em sua boca pela tela do computador se for preciso só para esquecer o seu cheiro e do gosto do seu beijo.

Gravarei sua voz quando estiver distraída para ouvi-la sempre que puder e não lembrar mais das palavras que me falou.

Passarei de propósito ao seu lado quantas vezes for necessário só para não notar mais sua presença. 

Vou te consumir até me entorpecer. Deixarei que entre em meu organismo como um vírus até eu criar anticorpos e não mais me preocupar com sua chegada inesperada.

Irei te querer até não saber mais de você.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O que não vale um Oscar



Não foram minhas palavras, tampouco minhas atitudes. Já existia uma pré-disposição para cancelar a próxima sessão, mas quem já assistiu várias outras da primeira poltrona sempre tem uma visão privilegiada das coisas.

Estou sempre observando. Quando estou calado, é porque examino friamente o que está ao meu redor. Ouço cada palavra dita, meço cada gesto, acompanho cada olhar, só não consigo ouvir pensamentos. Sou ator e expectador. Analisar e tentar decifrar pessoas são o meu passatempo. Guardo sempre comigo os resultados.

Sempre tem os escolhidos para papel principal e de coadjuvante. Às vezes paira a dúvida. Indecisão gera insegurança, causa desconforto e em muitos casos quebra a confiança. Não entro em briga por um lugar na cena principal. Não luto para ser premiado com um Oscar. É contra as regras, minhas no caso.

Na verdade isso não é um filme, onde a cena pode ser gravada quantas vezes forem necessárias até que os atores acertem suas falas ou que o roteiro seja seguido religiosamente. Não dependo de uma claquete para dar início ou finalizar o que pretendo dizer.

Todos somos atores principais de nossas vidas, nunca aceitaremos ser o coadjuvante. Temos um roteiro pronto, por isso a dificuldade com as adaptações. O filme pode virar uma série com vários capítulos, mas nunca chegará a ser uma trilogia.

Quando a cena começa errada, a probabilidade de acabar certa é mínima. Foi assim. Não tenho tempo para um ensaio, tampouco uma recapitulação. Saiu um monólogo de onde era para se ver um diálogo. Veja o trailer e escolha o que mais combina com você.

O que se viu foi mais um curta-metragem em minha vida.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O amor não vem pronto



Quem sabe seja apenas alguém querendo conhecer o poder de um grande amor. E quem não quer? Procura e entende que isso, na altura da sua vida, fará grande diferença. Certamente fará!

Quem sabe encontrou um possível futuro grande amor, mas não sabe ou lhe falta maturidade para compreendê-lo, para senti-lo ou apenas falta a vontade de entrar de cabeça e que o amor deixe fazer sua parte.


Chegou muito perto e viu o quanto é perigoso ter um grande amor e ser correspondido. Para viver o grande amor é preciso paciência, é preciso acreditar que pode ser tornar cada vez maior. 

Às vezes esperamos tanto por esse dia e quando chega não sabemos o que fazer. O ser humano teme o desconhecido.

Entenda que o amor não vem pronto. É uma pedra preciosa extraída de uma rocha que precisa ser lapidada e polida para vermos o seu brilho. Todo mundo quer amar, mas nem todos querem se envolver. Todos querem viver a felicidade do amor, mas nem todos querem passar pelos momentos difíceis, onde é preciso que os dois dêem as mãos e pulem juntos por todos os obstáculos.

Quero envelhecer amando como se tivesse 18 anos, andar de mãos dadas, porque esse é o gesto de que estamos lado a lado. Não aqueles casais de idosos, onde o marido anda na frente de sua esposa e de minuto a minuto olha para trás e pede a sua senhora de cabelos grisalhos que apresse o passo. Parece que apenas um deles abriu o caminho para o amor durante toda a vida e o outro apenas acompanhou conformado.


Juntos é que se constroem o amor verdadeiro, mas quando apenas um dos dois abre o caminho, a visão é estreita. Desbravado pelos dois a visão da vida é mais ampla e é possível enxergar melhor a felicidade que vem pela frente, inclusive os problemas. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O doce improvável

O teimoso que ama teimar e que não suporta se sentir contrariado. Mesmo quando a razão não está do seu lado ele teima.

Teimei que meu coração já estava deteriorado, adoecido, impróprio para o uso, um arquivo morto. Que era de minha propriedade e que, mesmo desocupado, faço o que bem entender dele.

Isso depois de tantos problemas nos relacionamentos, onde todos não deram certo. Mas mesmo assim, uma coisa eu não havia perdido: o doce prazer da conquista.

Isso me fascina, me faz sentir que tenho poderes? Talvez. É muito bom fazer alguém aprender a gostar de você e depois aprender construir o amor juntos. Foi assim. Fiz planos, tive sonhos, mas sempre com um prazo de validade muito curto. Perdia o foco facilmente.

Mas ainda não tinha sentido na pele o efeito contrário. Não mesmo e isso eu posso afirmar com toda convicção. Não conhecia a teima feminina, a insistência, a perseverança ou, na pior das hipóteses, provar do próprio veneno.

O improvável me fez conhecer seu sabor antes mesmo de senti-lo. Doce, gentil e afetuoso. O improvável me faz ser o que nunca fui: Conquistado.

O improvável me faz pensar, sorrir (ainda mais), perder o sono literalmente. O doce improvável me faz paciente, sonhador (acordado), me coloca no foco.  

Parece até que tinha data e hora para acontecer. Era previsível, mas sempre fiz questão de teimar ao contrário.

Parei de teimar porque não suporto ser contrariado.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O amor é sempre bem vindo

Quanto tempo que não o vejo. Olha lá, vem devagar, mas já consigo avistar. Caminha lentamente como um pai pescador cansado depois de meses de trabalho no mar. Mas não vem exausto, vem ansioso para encontrar o aconchego do lar, da esposa e dos filhos. Um pedido de carinho está descrito em seus olhos. É muito tempo sem sentir um abraço, o afago e o coração pulsar.

E para quem espera é assim mesmo, vem de repente, sem avisar. Quando menos se espera, por um olhar despretensioso pela janela, lá está ele, vindo ao nosso encontro. Somos escolhidos assim, num estalar de dedos, num piscar de olhos, num relâmpago cortando o céu em dia chuvoso, no encontro de uma gota d’água com a imensidão de um oceano. O amor nos toma de assalto.

A espera muitas vezes é cansativa, por outras não fazemos questão do tempo que dura por medo ou receio. Mas chega uma hora que o convite é tentador, necessário o aceite, a causa deve ser abraçada, a oportunidade agarrada com unhas e dentes. Talvez não seja a última, mas a circunstância te convoca, te escolhe, segura em suas mãos e te passa confiança, proteção. A hora chegou!

Vamos lá, seja bem vindo. Não sei o quanto espero, o quanto desejava; muito ou pouco, realmente não faz a menor diferença. Faça o favor de ficar o tempo que achar necessário, sinta-se em casa. Já não tenho mais medo ou receio de sua presença. Fique enquanto se sentir bem, enquanto se sentir acolhido. Seja bem vindo, ó sentimento que une, que coloca sorriso no rosto, o brilho nos olhos e faz o coração pulsar mais forte.

Será sempre bem vindo, ó doce amor. 

domingo, 18 de dezembro de 2011

Crônica acerca de uma cabeça pensante

Você a mantém ocupada por tanto tempo e quando a deixa livre para poder tomar suas decisões é quando ela fica mais confusa. Pensei tanto que até gastou aqueles velhos devaneios.

Sempre ouço que quando as coisas estão muito calmas é de se duvidar. Como em uma praia: você está lá todo serelepe, brincando na água com aquela calmaria e do nada ZAZ! vem aquela puta onda gigantesca sobre você. Daí você se lembra que o mar é lindo, inspirante, mas é salgado.

É quase a mesma coisa na nossa vida. Quando tudo está calmo algo vem como a onda inesperada e te derruba, mas na vida nem sempre essa onda é salgada. 

O que está a chegar também era inesperado, lindo como o mar e a dança das ondas, mas é doce. Surpreende-te sem te empurrar, chega de mancinho e te conforta como um abraço apertado, longo e demorado.

Essa onda veio até a margem e levou de volta consigo o que não pertence a areia. Foi como um assopro forte na borracha esmerilhada sobre o rascunho de papel. A água fria que lava o rosto pela manhã. O banho quente no início da noite após um dia cansativo no trabalho. A lágrima sutilmente enxugada pelo lenço de papel.

Está limpo, vazio e precisando ser preenchido. Agora o rascunho já pode ser reescrito. O rosto está limpo para mais um dia. O corpo descansado para o aconchego da cama e o cobertor. Já as lágrimas estão secas, mas os olhos permanecem vermelhos. Isso leva um tempo, mas não muito. 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Até que o álbum os separe

Vagando pela redação da faculdade não pude deixar de notar que duas amigas estavam olhando entusiasmadas um site sobre noivas. De longe era possível perceber o brilho nos olhos, a baba quase que caindo pelo canto dos lábios por cada vestido visualizado. Estavam sedentas por aquela vestimenta longa e branca, assim como os homens ficam quando vê uma Ferrari toda vermelha na rua.

Não consegui me apegar aos detalhes, mas percebi que se tratava de um desejo fora do comum. Parecia que estavam escolhendo o vestido de suas formaturas e não do matrimonio. Mulher tem muito disso em relação a vestidos. Homem usa o mesmo terno em várias formaturas, casamentos, reuniões e palestras, às vezes alternando a cor da gravata.

Citei a pouco a palavra matrimonio. Talvez essa palavra nem venha na cabeça delas quando estão diante de véus e grinaldas. A união abençoada por Deus fica em segundo, talvez em terceiro ou quarto plano.

As mulheres não querem o matrimonio, elas querem se vestir de noiva. Querem subir ao altar, mas não de qualquer jeito. Tem que ser com O Vestido. O mais branco, o mais longo, o mais bordado, ou mais isso ou mais aquilo; o mais lindo na visão delas. Logo depois é que vem a cerimônia. E não pode ser qualquer cerimônia, tem que ser no nível da premiação do Oscar. Tapete vermelho e tudo mais.

Mas a festa de casamento não acaba no final da noite depois que todos já encheram suas panças e estão caindo pelas beiradas de tanta bebida. Logo depois vem o principal, que é o que eternizará aquele momento, o que glorificará para sempre em sua memória, mais do que a noite de núpcias. Pois é, se é que terá depois de um dia longo e exaustivo, recebendo tantos convidados, tantos abraços, tantos parabéns. O que fixará para sempre o principal episódio das suas vidas será o álbum de fotografias.

E um fotógrafo não basta, precisa ser um batalhão deles. Como nos aeroportos, quando ficam todos espremidos em poucos metros quadrados a espera de um astro do rock, um presidente da republica ou uma seleção de futebol após vencer uma Copa do Mundo.


Para a mulher, o álbum de fotografias do seu casamento tem que ser melhor que o próprio casamento. O marido não precisa ser lindo. A sogra pode ser gorda e o sogro um careca que usa bigode, mas as fotos terão que ser as mais lindas possíveis e em grande quantidade com inúmeras poses.

E o álbum não pode ser também qualquer caderninho de brochuras, tem que ser daqueles que vem dentro de uma caixa fechada gigante. No estilo dos livros sagrados das fábulas, amarrado por um cordão todo estilizado. Bem provável que o álbum seja mais caro que o Buffet.

Agora, para que tudo isso?

- Rá! Qual a graça de fazer uma mega festa e não registrar nada? Podem até contratar uma equipe de filmagem, mas quem terá paciência para ficar assistindo? Por isso que é preciso ter o álbum para mostrar para aquelas suas colegas de salão de beleza, de trabalho ou do condomínio e que, por algum motivo ou falta de grana mesmo para o presente, não foram à cerimônia.

E para aquelas que também presenciaram a cerimônia, amarguem mais uma vez o seu sucesso. Não basta ter sido um sucesso, é preciso ostentá-lo. É preciso arrancar suspiros das amigas tidos como encalhadas. Aquelas que chegam aos 30 e ouvem sempre que estão ficando para titia. Que se não casar até essa idade, homem nenhum mais irá querer.

Porque não basta dizer que a festa foi linda, é preciso matar a cobra e mostrar o álbum. Fui embora e as deixei sonhando acordadas com as fotos dos vestidos. Quem sabe eu esqueça o sonho de ser um escritor e vire fotógrafo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Perdendo o que não se tem

Noite fria e chuva fina. Tarde demais para uns, cedo o bastante para outros e para quem vive a espera do momento de ser feliz não existe a hora certa. O oceano vira uma poça d'água na frente de casa.

Tudo fechado. Parecia que a cidade tinha sido inabitada de propósito para que pudéssemos andar tranquilamente. O destino éramos nós dois em qualquer lugar e o ambiente parecia estar à espera de um espetáculo, um momento único que não poderia ser interrompido pelo caos cosmopolita. 

Notei sua maquiagem, seu cabelo, o sorriso se abria e os olhos se fechavam. O perfume já não é o mesmo; Deus teve piedade, talvez não me segurasse. Muita coisa mudou.

Risadas foram conquistadas, um pouco de saudosismo e lembranças de um tempo que passou. O tempo não passou para ela. Mas o tempo foi injusto, que ao seu lado o relógio não teve pena e correu o quanto pode. O já vou indo foi interrompido pelo fica mais um pouco. 

Como um adolescente que não encontra palavras certas, como uma criança que não conhece tantas palavras, como um adulto que escolhe demais o que falar, como um idoso que já ouviu de tudo e lamenta por quase tudo. Apequenei-me com tua presença, com tua voz e o seu novo perfume. Um refém.

Um súdito que ouviu calado a sua rainha, um paciente quando ouve atentamente sua analista, um filho obediente que ouve sua mãe, o aluno dedicado ao ouvir a sua professora. Observei, gravei cada palavra, sendo que nenhuma com embargo na garganta. Fluiu naturalmente.

Mas os olhos também dizem, às vezes mais que a boca. Ainda tinha brilho lá dentro, pensei que fossem lágrimas, então esperei elas caírem. Nenhuma gota. Mas eu percebi, diziam algo diferente do que eu ouvia. Ficará bem guardado.

Fiquei a espera do abraço que timidamente foi negado, mas o brilho nos olhos ainda era possível ver. Estavam lá. Angústia, tristeza, raiva, ressentimento ou qualquer outra inquietação. Contei os passos até o portão. Foram quatorze. Daí para dentro eu já não sei mais nada. 



sábado, 3 de setembro de 2011

Elas são o poder



Tenho um velho costume de analisar as pessoas, principalmente as mulheres. Sou um curioso nato pelo universo feminino. Comecei a observar atentamente o comportamento delas depois que li pela primeira vez Dom Casmurro.

Acho que tinha uns 16 anos. Detestei profundamente a Capitu. Senti medo de que todas fossem como ela e um dia eu acabar virando um Bentinho.

Na segunda vez que li, já vi uma Capitu diferente. Aprendi a admirar seu poder. Comecei então a procurar vestígios da Capitu em cada mulher. 

Não foi difícil achar, pelo contrário, é possível ver de muito longe. Nem todas sabem que tem esse poder, mas quando descobrem usam sem piedade.


As que ainda não descobriram são as que estão sempre deprimidas, principalmente quando acabam um relacionamento.


- Meu Facebook parece um poço de lamentações. Acho que encarnam o espírito de sexo frágil.


Acho incrível como se comunicam entre si, como agem quando estão furiosas ou quando estão atrás de atenção. Homem quando busca atenção se passa por ridículo, acho porque todos temos o lado ogro dentro nós, uns demonstram mais.


Mulher quando quer atenção de alguém, consegue. Mas é nesse ponto que acho curioso. Parece um pouco clichê tocar no assunto que as mulheres vivem em função das outras mulheres. Na verdade é que o mundo todo vive em função delas.


Uma vez um professor me disse que o mundo gira em torno da vagina.


- Ri descomunalmente por muito tempo toda vez que me lembrava.


Mas ele explicou que tudo que almejamos, é para conseguir uma vagina. Carro, casa, roupas, perfume, poder, enfim, tudo. O homem precisa ser interessante de alguma forma.


- Tá, mas e as mulheres?


Elas também. Querem tudo isso, além de um homem bonito - às vezes nem tanto - um homem bem sucedido, um ótimo emprego ou um lar harmonioso para impressionar outras mulheres.


- Tá, mas elas querem a vagina das outras?


Não, seu tonto! Elas já possuem a delas. O que ele quis dizer é que o homem faz sua vida em função de uma ou mais mulheres, e as mulheres o mesmo. O homem, no caso, é apenas uma figuração dentro do cenário criado por elas.


- Tá, então quer dizer que não tem para onde fugir?


De forma alguma, pois quem nasceu para ser Bentinho, nunca chegará a José Mayer.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Procure a resposta em você

É que foi belo e as lembranças fazem com que queiramos sentir tudo de novo. Foi intenso como é e sempre foi em nossas vidas.

Os erros são parte do aprendizado. Se errei no passado é porque não estava preparado para acertar. Oras, não nascemos prontos e tampouco vamos nos gastando com o tempo. Chegamos crus nesta vida e vamos nos fazendo durante ela.

O sofrer não é da alma, apenas o corpo que sente como também sente centenas de milhares de outras coisas. A alma é além do corpo, de tudo que existe de material nessa vida.

Por isso quando trocamos olhares, seguro em suas mãos e toco o seu rosto, não é corpo que está a sentir, mas a alma. Isso vai além.

Você engana seu corpo para que não sinta saudades, mas e quando a sua alma perceber quem realmente está aí? 

A vida não é longa e muito menos curta demais para acontecer o que está no destino. Pode ser que não seja nesta, porque os corpos se vão, mas nossas almas seguirão juntas.

Tenha a certeza que vai muito além do que conhecemos e iremos conhecer um dia.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Vê que é a nossa canção

Com medo de transformar tudo em poesia, quis saber de você em música. Toquei cada acorde como se estivesse a tocar os fios dos seus cabelos. Senti o ritmo do balançar das suas madeixas e a marcação em cada batida de seu coração.

A cada suspiro por uma troca de olhares, uma nota era extraída da canção que embalava nossa dança. Perto, próximo ao pé do ouvido eram lançados acordes reais, nada de falsetes. Eu dizia o que tocava em meu coração.

Quis o grande Maestro, que rege nossas vidas como sinfonias, que mudássemos de afinação. Revoltei-me e deixei a sexta em Ré, com passagens de sons cada vez mais pesadas, muitas das vezes sem um ritmo sequer.

Você não voltou para mim; que Mi é a afinação que hoje toco, mas ainda não entrosei a batida e o compasso. Continuo a treinar para um dia formarmos um dueto e aí tocarmos nossas vidas.

Alcançaremos notas ainda não atingidas.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Uma nova construção

Já não há mais dor, nem tão pouco angústia. Somos feitos de carne, feitos de amor, feitos do que o vento não levou e o tempo não apagou.

O vento só levou as folhas secas que estavam caídas. Deixou o coração com o terreiro limpo para somente uma pessoa construir o que quiser nesse quintal de sentimentos. De preferência a construção de um amor.

E se assim for, é preciso ser feito antes de tudo as alicerces da confiança e do respeito. Depois fazemos a parede das proteções e do zelo, mas sempre com janelas para receber o sol do amanhecer que é tão saudável. Uma outra para contemplar as estrelas e, se caso o céu estiver nublado, abre e deixa o vento balançar a cortina.

Cobre mais tarde, o telhado é para não deixar chover. Que chova lá fora e o frio não entre. O calor é bem vindo. Deixa aquecer. Não esquece de guardar sempre uma cópia das chaves das portas e não te preocupa se dentro faltar espaço, um edifício pode ser erguido. 

O quintal sempre foi seu, e está a sua espera para construirmos juntos. Ou você aí e eu aqui.

Quem sabe é o tempo, quem sabe é o destino.